Lá, onde o vento chora (Portuguese Edition)

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Published Jul 4, 2019

392 pages

Average rating: 8.67

3 RATINGS

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Community Reviews

Sandra Bernardo
Sep 09, 2025
10/10 stars
Delia Owens, traz-nos esta épica história de resiliência de Kya e o preconceito de ser a "miúda do pantanal" ou a "rapariga selvagem". Kya tem de aprender a sobreviver, a subsistir, a crescer num isolamento tal, uma vez que para Kya os seres humanos não são tão bons companheiros como a mãe natureza e os seus animais. Kya tem de crescer à força, pois enquanto criança vai sendo abandonada aos poucos por toda a sua família e mais tarde é também abandonada pelo seu único amigo e também o seu primeiro amor. Entre amores e desamores, aproximações e desilusões, Kya vai aprendendo a desconfiar até da ideia do amor romântico, acreditando que "grande parte dos homens andam a saltar de uma mulher para outra" e "os que menos valem andam por aí a pavonear-se e seduzem-nos com falsidades".
Mas quem é que aguenta uma vida inteira de solidão humana depois de já ter sentido um pouco de amor e contato humano?! Kya acaba assim por dar várias oportunidades ao amor e às pessoas dum modo geral, apesar de se manter sempre longe da sociedade e a preferir a natureza e as suas gaivotas. Não considero que haja contradições na personagem mas sim um crescimento e amadurecimento.No entanto, não estava à espera da revelação final, se calhar por ser ingénua e ainda acreditar na bondade humana e que há de facto algo em nós humanos que nos separa dos animais.
Os livros escolhem quando devem ser lidos e acho que não haveria uma melhor altura para ler Lá Onde o Vento Chora, que pegou-me pelas entranhas, lendo-o em pouco mais do que 3dias. Provocou-me um certo nível de desconforto, obrigando-me a enfrentá-lo e a ler mais e mais. Quando um livro é bem escrito existe sempre algum grau de empatia e identificação com a personagem principal e este não foi excepção. Apesar de eu ter tido a sorte de ter crescido numa família bem estruturada onde nunca me faltou nada, e especialmente amor familiar, também por vezes sentia e ainda sinto que vivo num mundo à parte onde a minha cabeça pensa de modo diferente do resto do mundo. Também não acredito muito no amor romântico porque já vi e vivi muitas decepções, mas ainda assim acredito que encher o coração com amor (de qualquer tipo) é a única forma de superação.

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